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sábado, 22 de setembro de 2012

Entrevista com Dr. Russel Shedd




Você quer prosperidade?
Então peça um câncer pra Deus!

Russell Shedd é um dos maiores "pensadores" da igreja na atualidade. Nasceu na Bolívia, foi criado nos Estados Unidos e tem passagem por diversos outros países como Alemanha, Inglaterra, Portugal, Escócia etc, onde estudou, ministrou palestras ou desenvolveu algum trabalho na obra de Deus. Formou-se em teologia no ano de 1949 pelo Wheaton College, fez mestrado em estudos do novo testamento no Faith Seminary, em Philadephia e aos 25 anos adquiriu o título de Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo na Escócia. 

Casou-se em 1957, e teve 5 filhos. Lecionou na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Fundou a Editora Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações. Dr. Russel Shedd é também missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil desde 1962. Tem colocado seu pensamento a disposição do público através da boa literatura que não pode faltar na biblioteca de um bom leitor.

Entre suas obras publicadas estão A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia, Disciplina na Igreja, A Escatologia do Novo Testamento, A Solidariedade da Raça, Justificação, A Oração e o Preparo de líderes cristãos, Fundamentos Bíblicos da Evangelização, Teologia do Desperdício e Criação e Graça: reflexão sobre as revelações de Deus. Além disso, Russel Shedd se notabilizou mormente pelos comentários da Bíblia que leva seu nome na capa: Shedd.

RGG – Uma pergunta trivial, mas que o público quer saber: Qual a sensação de ter uma bíblia com o seu nome?

SHEDD – Bastante constrangimento e até vergonha, porque eu não autorizei que utilizassem o [meu] nome. Quando eu sai da [editora] Vida Nova, passei para um senhor, [chamado] Dr. Alan, que não está mais no país. Ele logo começou a reformular a Bíblia Vida Nova e a transformá-la na Bíblia Shedd. Ele me falou antes de colocar o nome que iria colocar o [meu] nome, e eu disse: Não, você não pode fazer isso! Não autorizei. Mas, quando saiu já estava o nome lá, e não somente em letras pequeninhas, lá embaixo, mas, em letras enormes (risos). É um constrangimento constante, meu irmão.

RGG - Que razão o senhor atribui a esta diminuição do número de cristãos pela qual países como Inglaterra, França, Alemanha, enfim... este achatamento que toda a Europa está passando, atualmente? Países que chegaram ter 40% de sua população evangélica, sobretudo depois da reforma, sob a influência dos calvinistas, e hoje tem 0,5%, 1%, 2% no máximo?

SHEDD – Certo. A razão disso é a maneira como os pastores foram preparados nas universidades. Homens, lecionando matérias do seminário na universidade... Por exemplo, em toda a Europa os pastores são preparados em universidades e os seus professores são incrédulos. Então, um jovem que quer servir a Deus, logo perde sua fé, e logo está pregando uma palavra, sem Deus, sem fé, sem bíblia, porque não crê.

RGG - O senhor fala em uma de suas entrevistas que na Alemanha, por exemplo, igrejas estão adotando uma cláusula exigindo que o pastor seja crente?

SHEDD – Exatamente. Na igreja do meu genro e filha [...] Eles trabalham com duas igrejas lá em [Ruíte] perto de "Sttutgart" e... quando ele fazia parte do conselho da igreja, colocaram esta cláusula exigindo que o pastor, desta igreja, fosse crente.

RGG - O senhor acha que o cristianismo está condenado a países economicamente necessitados, fazendo prevalecer aquela máxima: "O número de igrejas evangélicas é diretamente proporcional a quantidade de problemas de uma nação"?

SHEDD – Em parte, isso é verdade. Jesus já mostrou que a pobreza, a necessidade, é uma pressão muito forte a busca de Deus. Na medida em que alguém como aquele holandês, em Amsterdã, 2000, falou: Por que eu preciso de Deus? Eu tenho tudo que eu quero na vida. [...] com a falta de crer que existe uma vida posterior a esta, que haja um juízo da parte de Deus, tais pessoas olham para esta vida, como uma única. Uma vez que a gente tem tudo que quer nesta vida, por que é que se vai precisar fazer esforço para conhecer a Deus ou fazer a vontade dEle?

RGG - Teologia da prosperidade. Hoje pela manhã, o senhor falou que se um crente quer prosperidade, então deve pedir um câncer a Deus. Em outras palavras o senhor quis dizer "morte com salvação é a verdadeira prosperidade. Foi isso mesmo ou não entendi bem?

SHEDD - Não, foi isso mesmo! (risos). Quero dizer a prosperidade que a bíblia garante para os crentes é na vida vindoura, é nos galardões que à receberemos. Paulo diz em II Coríntios 4, que a "Glória futura está diretamente ligada ao sofrimento nesta vida". Se a gente quer glória na vida vindoura, [devemos] esperar sofrimento nesta vida, especialmente, o sofrimento da perseguição. [II Coríntios 4:16]. Deixe me ler este versículo porque eu creio que os leitores vão querer saber o que a bíblia diz, exatamente, sobre prosperidade. "Por isso, não desanimamos, embora, exteriormente estejamos a desgastarmos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia. Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos (e Paulo sofreu muito, nós não chamaríamos de leves) estão produzindo para nós uma "glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê, é eterno"..

RGG - Até onde esta teologia da prosperidade terrena é saudável? Explicando melhor, todos nós queremos alguma coisa. Um carro novo, uma casa maior, um emprego melhor... mas afinal de contas, pedir estas coisas para Deus, é saudável?

SHEDD – Seria saudável apenas se pudessemos glorificar a Deus mais. A ordem bíblica é que a glória de Deus está vinculada a tudo que nós fazemos, ou deveria estar. Então, quer bebamos, quer comamos ou façamos outra coisa qualquer, façamos para a Glória de Deus. Qualquer benefício ou vantagem que Deus nos dá nesta vida seria justamente para nós glorificarmos a Deus, mais. Só que muitas vezes nós fazemos o contrário.

RGG - Não é para usufruirmos destes benefícios, então?

SHEDD – É para nós glorificarmos à Deus, naturalmente, abençoando outras pessoas. Porque se é para fazermos boas obras, se é para abençoarmos pessoas, se é para sustentarmos missionários, é preciso alguém ou alguma coisa para fazer isso. Portanto o que nos beneficia e nos abençoa seria re-utilizado para glória do Senhor.

RGG - Qual a sua opinião sobre a literatura brasileira cristã? Há material de boa qualidade ou ainda estamos muito distantes de países como Estados Unidos e outros países de primeiro mundo, neste aspecto?

SHEDD – Talvez o problema maior que nós temos aqui, é que as pessoas que escrevem, raras vezes, tem lido muita coisa. Quero dizer, não tem muita consciência da história da igreja. Eles não tem lido outros autores, como os puritanos, não tem muito conhecimento de Jonathan Edwards, não tem conhecimento de homens como Spurgeon. Estes livros estão chegando agora [em português]. O resultado é que quando eles escrevem, a impressão que a gente tem, é de algo um pouco raso, isto é, não muito profundo. Raras vezes, eles tem conhecimento das línguas originais para fazer uma exegêse adequada. Isto não é em todos os casos, mas apenas em alguns, é claro.

RGG - Quais os grandes pensadores da literatura e da igreja brasileira nos nossos dias. O senhor poderia citar algum pelo qual o senhor tem admiração?

SHEDD - Claro, seria fácil. Simão Luiz Sayão, Carlos Osvaldo Pinto da Palavra Vida, Augustus Nicodemus, Antonio Carlos lá da igreja da Barra. Ele é um estudioso e pensador. A escola dos pastores, em Niterói... e, outros irmãos desta estirpe. Graças a Deus, que... Deus tem os seus líderes aqui... e pensadores... Fiquei muito contente em ler a biografia de Tonica Vandermeer, missionário entre os Angolanos, durante tantos anos... Sofreu muito, mas foi muito usado. Talvez o herói que mais se destaque aqui é Ronaldo Lidório, um verdadeiro pensador, estudioso, e um homem muito sacrificado para glória de Deus.

RGG - O senhor aconselharia alguma universidade no exterior especialmente para os alunos que estudam teologia e gostariam de aprofundar seus estudos, futuramente? Ou o senhor acha que existem universidades boas no Brasil para mestrado e doutorado?

SHEDD - Tem algumas escolas boas aqui. Eu recomendaria, por exemplo, a Mackenzie. Dá pra fazer doutorado lá. Deixe me ver outra escola aqui que talvez a gente poderia recomendar... Para mim é muito mais fácil lembrar de escolas americanas, onde Jesus Cristo e a bíblia são honrados e [os professores] pessoas de bastante conhecimento. Então, depende se a pessoa tem possibilidade de fazer um curso lá. Ahmn... No Trinity Divinity School, no Gordon-Conwell Theological Seminary, Denver Seminary, no Beeson Divinity School. São várias escolas de alto nível. Tem escolas na Inglaterra, também, que estão vinculadas as universidades de Cambridge e Oxford. Há excelentes cursos lá que a gente pode fazer de doutorado...

RGG - Existe uma pesquisa, inclusive citada neste seminário, que os programas televisivos da Igreja da Graça e Reino de Deus, amplamente divulgados em todo o Brasil tem provocado um efeito migratório de pessoas já membradas em outras igrejas. Isto é, grande parte das pessoas que lá estão já eram evangélicas. A mídia poderia ser melhor utilizada, ou este poder de crescimento é inerente a potência do veículo? A mídia pode ser utilizada para colocar em prática o "Ide e pregai o evangelho a toda a criatura" Ou este "IDE" é presencial e não virtual?

SHEDD – Não há duvida que a mídia é muito útil para chamar a atenção das pessoas de sua necessidade em Cristo. Mas como a mídia está interessada em IBOPE, é quase impossível que ela se vincule e dê mais atenção a mudar pessoas perdidas e trazê-las para Cristo. Agora tem uma exceção nestes programas. É o do Fausto Rocha. O canal dele tem uma forte ênfase na evangelização. Mas, o que foi falado representa a grande maioria. Record, RR Soares gastam muito tempo na televisão, e não falam, pelo menos não abertamente, que eles estão tentando evangelizar e levar pessoas à Cristo.

RGG - Gostaria de obter a sua opinião sobre a Igreja Lakewood Community, localizada em Houston Texas/USA. Sabemos que é uma igreja de proporções gigantescas, que tem se destacado pela sua proeminência e por levar o evangelho só nos Estados Unidos para mais de 225 milhões de pessoas. Além disso, os cultos são transmitidos para mais de 150 países, por emissoras e redes de televisão. O pastor-chefe da igreja, Sr. Joel Osteen, reconhecido mundialmente pela sua simpatia e eloqüência no palco, tem um livro intitulado "Sua melhor vida agora" que o possibilitou circular no topo da lista do mais famoso jornal americano The New York Times. Simplesmente o #1 Dos Estados Unidos, por meses consecutivos. Enfim... Muito tem se falado. Críticas, Elogios... Agora, gostaria de obter a visão de um especialista.

SHEDD – Eu não o conheço, pessoalmente. Tenho visto na televisão, lá. Não sei muito bem todas as ênfases que ele tem. É um fenômeno, realmente, fora do comum! Está tomando um espaço muito impressionante. Eu não chegaria à dizer que é uma coisa negativa até agora. Gostaria de esperar para ver o efeito positivo que isso vai ter na América, porque é um país que ainda tem muita coisa negativa, em relação ao liberalismo... igrejas estão vazias, especialmente no nordeste do Estados Unidos. A América é bem dividida em áreas que nós chamamos de "Bible Belt" (Cintura de Bíblia). e... tem outras áreas que são bem distintas.

RGG - Nos anos 60 as denominações se dividiram, sobretudo, por causa do pentecostalismo. Desenvolveram posições opostas, e hoje, muitas procuram obter a união através do que chamamos de Ecumenismo? Qual a sua opinião sobre o Ecumenismo?

SHEDD – Depende inteiramente de "que tipo de ecumenismo"?

RGG - Principalmente o ecumenismo entre as religiões pentecostais e neo-pentecostais, é claro. Não este ecumenismo entre islamismo, budismo, enfim...

SHEDD – Eu estaria com uma atitude muito negativa para qualquer ecumenismo que junta crente com não crente. Dentro do próprio cristianismo, pessoas que realmente se vinculam ao Senhor Jesus como seu único e suficiente salvador, que colocam a bíblia como a palavra de Deus, inspirada por Deus, qualquer união que possa existir entre eles, normalmente, seria positiva. Claro, tem certas práticas que a gente não favorece. Portanto temos ver que união teria beneficio, e qual seria negativa. É complicado generalizar, neste ponto.

RGG - Todos os crentes devem admitir que ler a bíblia é extremamente importante. Mas, em um país como o Brasil em que o índice de analfabetismo funcional é de 74% da população, isto é, apenas 26% do povo brasileiro possui pleno domínio da leitura e interpretação de textos, como fica o entendimento da bíblia? Não seria um ler por ler?

SHEDD – Certamente. Mas Deus é maravilhoso... Porque através de seu espírito Ele ilumina as vidas. Tem pessoas que tem aprendido a ler só olhando para o texto bíblico. Eu conheci pelo menos um irmão que pediu a Deus, especialmente, capacidade para ler, e começou a ler a bíblia e não podia ler outra coisa, só a bíblia!

RGG - Eu sei que o senhor não é favorável a esta visão do "intitular-se apóstolo". Eu gostaria de obter a sua opinião sobre isso. Biblicamente falando, existe algum erro em utilizar esta titulação?

SHEDD – Bem, a bíblia nos fala de dois tipos de apóstolos. O problema é o significado desta palavra. [Apóstolo] significa o que tem plena autoridade da pessoa que lhe enviou. Apóstolo é enviado. Portanto quando Paulo diz: "Eu sou apóstolo de Jesus Cristo", ele esta dizendo, que tem autoridade para falar em nome de Cristo. Então, qualquer pessoa, hoje, que se intitula apóstolo esta se colocando na posição do Papa. Está falando no lugar de Cristo. Já que esta não é a idéia que alguns destes apóstolos tem, talvez não tenham estudado o significado da palavra; talvez eles estão pensando que são apóstolos do tipo de (EPAFRODITO). [ Filipenses 2:25 ] Esta palavra fala do apostolo da igreja de Filipos. Então tem esse dois tipos. Talvez esses são apenas apóstolos de igrejas, tem a autoridade da igreja, ou autorização para falar em nome da igreja deles, não de toda a igreja de Cristo, obviamente, mas só deles.

RGG - Política e religião. O senhor é contra ou a favor de políticos crentes no poder? O senhor acha que políticos cristãos podem mudar a nossa nação ou não se atreveria a ser tão positivista, assim?

SHEDD – Depende do político obviamente (risos). Alguns políticos tem sido uma benção. Fausto Rocha é um deles e tem outros; agora o grande problema é a tentação que a política cria. [É necessário] fazer vínculos com pessoas não crentes, isso normalmente significa rebaixar seu compromisso com a palavra, seu compromisso com a verdade, e assim por diante. Tem que incluir-se na mentira, que muitas vezes a política usa só pra ganhar.

RGG - E pra gente acabar esta entrevista um recado para o nosso povo Brasileiro, em especial para o Estado do Rio Grande do Sul.

SHEDD – A minha palavra é: O Brasil é um país que a gente ama muito. Estamos aqui há quarenta e tantos anos, e tem sido pra mim uma verdadeira indicação do Senhor. Eu vim de Portugal e pretendi nos primeiros anos, voltar para Portugal, mas eu tenho dado muitas Graças a Deus, pelo privilegio de ter duas filhas que nasceram aqui, de continuar vivendo aqui, quero morrer aqui, e não tenho outro plano. E que Deus abençoe este país porque tem muita coisa favorável aqui. 

Quando a gente fala, assim, com criticas, nós deixamos de falar das coisas que são muito positivas, em comparação com outros países, inclusive do primeiro mundo. Agora para o Rio Grande do Sul, nossa palavra é uma esperança de que este estado possa ser abençoado, com homens de Deus, que vão pregar e evangelizar de tal modo que não vai demorar para que este estado possa ter muitas igrejas novas e crescentes. Deixara de ser um estado com alto índice de bruxaria, macumbaria, para ser um estado que tem DEUS como seu verdadeiro centro.



RGG - Obrigado Dr. Russell Shedd, foi um grande prazer!!
Por Oziel Alves

SECULARIZAÇÃO do Mundo Complexo e O EVANGELHO




Vivemos num mundo secularizado. A religião ocupa um espaço cada vez mais reduzido, especialmente no Primeiro Mundo. Significa que o ocidente experimenta a realidade de governo, leis, educação, mídia que excluem Deus da vida.  A exclusão da religião da cultura, das artes e a formação secularizada do homem moderno é uma realidade que se confirma constantemente. Desde a renascença, paulatinamente Deus foi banido da civilização ocidental e substituido pelo humanismo.  A maioria continua afirmando que acredita em Deus, porém, a importância da “fé” no dia a dia é irrelevante. O temor de Deus desaparece. O otimismo da fé na capacidade do homem resolver seus problemas e alcançar seus objetivos utópicos ocupa o lugar de fé num futuro melhor após a morte.  Quem precisa de Deus, se a ciencia e o progresso tem as ferramentas para dominar a natureza e a razão humana tem a inteligência suficiente para  encarar todos os desafios. 

 “O Deus deste era cegou o entendimento dos descrentes para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo” (2 Co 4.4NVI).  

Paulo escreveu estas palavras num contexto duma sociedade imersa na  idolatria e magia. Após a conquista do Império Romano pelo cristianismo, este dominou todas as facetas da vida. O cristianismo tomou o lugar do paganismo. A penetração do cristianismo institucionalizado com o papa no pináculo do poder, sujeitou a cultura europeia à força da religião até a renascença. A reação do iluminismo começou a desmoronar o domínio da religião cristã no centro da vida.  

Filosofias humanistas questionaram as  certezas afirmadas pela Igreja durante séculos.  A ciencia começou a ganhar espaço com descobertas deslumbrantes.  Um novo paradigma garantiu que não era o planeta terra, mas o sol, que estava no centro do sistema solar. 

O telescópio demonstrou que o universo era imenso, milhões de vezes maior do que se imaginava.. A entativa da Igreja combater estas novas descobertas trouxe descrédito sobre  o cristianismo.  

Mais recentemente  a teoria de evolucão foi aceita como uma alternativa viável em lugar da descrição bíblica do origem do universo e do homem. A nova mentalidade, de acordo com G.K. Chesterton, foi de um deus que escreveu a peça de teatro e a entregou ao ator humano que não  lembrava mais do autor e nem do propósito de 1montar a peça.  Os livres pensadores creram que o progresso depende da inteligência e criatividade do homem e não da revelação de um deus que, se existe, não influencia os acontencimentos 
naturais.  Nietzsche ousadamente declarou que Deus morreu.  Marx acreditava que as forças determinantes econômicas produziriam uma sociedade harmoniosa. Os que produzem segundo suas habilidades 
supririam  as  necessidades de todos. 

Um desencantamento tem ameaçado a utopia dos filósofos e sociólogos. Os avanços científicos tem acarretado com alguns elementos negativos. A rápida destruição da natureza, a poluição, o aquecimento da camada de ar e o aumento do burraco de ozone, provocados pelas emissões de gases, tem sido desalentador. 

Doenças novas como AIDS e SARS tem sido inimigos da humanidade difíceis de combater eficazmente. A violência no mundo, as guerras, a incapacidade das autoridades controlar as drogas e o terrorismo, todos são sintomas de um mundo que perde a esperança de encontrar soluções humanistas definitivas para todos os problemas que afligem a humanidade. 

O cristão encara este quadro desalentador com uma avaliação bíblica. “Todos pecaram e estão destituidos da glória de Deus”. A corrupção do coração do homem leva à conclusão que a humanidade nunca alcançará a perfeição do Paraíso sem a intervenção do Criador. 

A exclusão de Deus pela mídia e a política escolar, é simplesmente uma reação do coração soberbo que pensa que tudo pode por conta própria. 
 A declaração da Bíblia que o Cristo ressurreto e entronizado reinará até que ele ponha todos os inimigos debaixo dos seus pés é a alternativa cristã.  O último inimigo a ser vencido pelo Senhor é a morte. Não adianta sonhar com um salto da humanidade até o Paraíso sem que primeiro o pecado seja vencido pela nova criação e o juizo final.  Maranatha (Vem, Senhor). 
   
O Evangelho 
A. Rm 1.18 – A ira de Deus se  manifesta contra  toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça. 

B. O amor de Deus tem de seguir a compreensão do profundidade da rebelião e pecado do homem.  Rm 3. 10. 
“Como está escrito não há justo, nem um sequer”.  Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus. Rm 3.23 

C. Em Rm 1 percebemos a gravidade do pecado dos homens reside no fato que pecadores tendo conhecimento de Deus, mas não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes, se tornaram nulos em seus próprios racioncínios obscurecendo-se-lhes o coração insensato.  Trocaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível”. 

D. Rm 5.12 ensina claramente que o pecado de Adão também foi o pecado de todos os seus descendentes.  Para de se livrar desse pecado original que contamina a natureza profundamente é necessário que o Segundo Adão se encarne, cumpre  toda a justiça (Mt 3.15), e providencie redenção por meio de Jesus Cristo (Rm 3.24).  Deus propôs a Cristo no seu sangue como propiciação para que mediante a fé manifeste sua justiça substitutiva.  “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que , nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21). 

E. No mundo contemporâneo pecado não passa de um erro, e isso somente quando prejudica os outros. A defesa do homem secularizado é que não sou ruim. Não cometi nenhum crime.  
Sou bem intencionado de modo se houver um juizo no futuro certamente Deus me aceitará tal com sou. 

F. O mundo complexo não acredita no inferno e nem no juizo de Deus.que condenará todos que náo são justificados pela morte de Cristo, aceita pela fé. 
O Papa João Paulo II declarou que o inferno é  a vida que nós criamos para nos mesmos. Os  sofrimentos de sta vida com tantos problemas e dificuldades é suficiente inferno. 

G. O mundo complexo moderno, se crer que existe uma vida após a morte, não está esperando o juízo de Deus. No curso (Cristianismo Investigado) preparado para evangelizar o homem moderno inglês, a equipe de J. Stott, apresenta como nós devemos fazer a nossa parte segundo 2 Co 4.1-6. 

Enquanto o mundo capitalista que depende de marketing e engano. O evangelho tem de ser apresentada como ele é, verdade como Deus é verdade.  Jo 14.6 e Deus não pode mentir. 

1. Não age sem integridade – “NÃO ANDANDO COM ASTÚCIA”, v. 2 falamos a verdade com sinceridade genuina. 

2. Age com fidelidade – não distorcemos a Palavra de Deus” – temos obrigação de falar toda a verdade, inclusive as partes duras.- pecado, inferno, juízo, arrependimento. 

3. Explica com inteligência e compreensão – “pela manifestação da verdade’ (v. 2b) apresenta a verdade de maneira clara.   

4. Manifesta humildade – não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo como Senhor.  4.5 
Faz parte da complexidade do mundo pecaminoso em que vivemos que os homens acham mais legal produzir sua própria justiça do que humildemente, pela fé depender unicamente da justiça de Cristo oferecida de graça para nós.  


Russell Shedd  

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A ESPERANÇA SEGUNDO A BÍBLIA


              
 A Bíblia inspira esperança.  De Gênesis até o Apocalipse corre uma corrente animador de antecipação. O catástrofe no Jardim de Éden provocou a ira de Deus contra os culpados e contra a terra que os sustentaria, mas não falta a nota cristalina de esperança. O Proto-evangelho (Gn 3:15) anuncia a boa nova de um futuro bem melhor,  Deus não abandonou o pecador à sua miséria. 

Noé construiu a arca porque Deus inculcou esperança no seu coração. A raça não foi aniquilada porque Deus revelou uma visão de um futuro melhor. O chamado de Abraão para deixar sua terra e parentela foi alicerçada em esperança. “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”(Gn 12:3).  

Quatrocentos anos de escravatura no Egito não conseguiram apagar totalmente essa chama de esperança. Deus confirmou com braço forte  a Sua promessa de liberdade e independência sob o comando do soberano Senhor. 

Os profetas foram enviados com mensagens de  juízo e de condenação. Mas no meio de lutas, invasões, apostasia e adultério espirituais, os porta-vozes de Deus não deixaram de descrever quadros de vitória e salvação nos horizontes futuros. Isaías escreveu assim 200 anos antes do Exílio: “Consolai, consolai, o meu povo, diz o vosso Deus...a glória do Senhor se manifestará e toda a carne a verá... Eis que o Senhor Deus virá com poder e o Seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (40:1-10).  Não era para Israel cair no poço fundo da depressão e desespero, porque Deus promete voltar a mostrar os Seus cuidados amorosos especiais. 

Esperança na Bíblia é assim.  Em meio de terríveis aflições e sofrimentos provocados pela rebeldia e pecado do Seu povo, Deus promete uma mudança radical que alegraria o coração mais desesperado. Assim o pessimismo se anula nas promessas de bênçãos de Deus quando a disciplina terá alcançado o seu efeito 
desejado. 

Paulo vai ainda mais longe. Declara que a fé e o amor dos colossenses  existiu “por causa da esperança que vos está preservada no céus”(1:5). Em o Antigo Testamento a esperança na restauração do Povo Eleito.  Em o Novo Testamento, crer na promessa de Deus da provisão da vida eterna na gloriosa presença de Deus, produz fé no Senhor Jesus e amor fraternal.  “Na esperança (ou ‘pela’), fomos salvos” (Rm 8:24), sugere que a fé é gerada pela esperança nas promessas de Deus. Sentidos Distintos da Palavra, Esperança

Devemos notar dois sentidos neste vocábulo. Primeiro, aquele que comunicamos quando dizemos, “Espero que este remédio me faça bem”, ou “Espero que Roberto volte para casa antes de meia-noite”. Quer dizer, temos certa confiança que possivelmente um evento há de se concretizar. Desejamos que aconteça, mas carecemos de certeza. 

A esperança “viva” (1 Pe 1:3) não é a assim.  Comunica a mais completa segurança, uma vez que é acompanhada pela garantia de Deus. Aguardamos a “bendita esperança” da vinda de Cristo, não com dúvidas, mas com inteira certeza. 

Se mantivermos firme a esperança que desde o princípio ganhamos, não deve haver dúvidas acerca da conversão genuína (Hb 3:14).  A insegurança surge justamente no momento em que essa confiança for abalada.  Quando diminui a certeza sobre o futuro que Escrituras denominam de “vida eterna”, apaga-se a luz 
da esperança.  

Se já fomos justificados mediante a fé e também experimentamos a paz com Deus, entramos diretamente na porta aberta pela fé para nos firmarmos na graça.  Tudo isto, Paulo assevera, nos proporciona exultar na esperança da glória vindoura (Rm 5:1,2). Significa que a segurança e paz que a graça de Deus produz 
por meio do perdão total e contínuo de Deus (justificação), também mantém a alegria que antecipa a manifestação futura da glória de Deus.  

Nem a tribulação que Deus nos manda para produzir a perseverança e desenvolver o caráter de Cristo (“experiência”) devem abalar a esperança cristã.  

Pelo contrário, aqueles que, como Paulo, mais aflição passam, são os que mais esperança possuem (Rm 5:3,4). O desespero e pessimismo se afastam diante do brilho celeste do futuro prometido por Deus.  Essa esperança, garante Paulo, não confunde, porque está unida ao amor que Espírito Santo derrama nos corações daqueles que põe sua confiança plenamente na fidelidade de Deus (Rm 5:5). 

Conclusão 

A esperança bíblica precisa de raízes bem firmes nas promessas de Deus. A graça que o Senhor despejou sobre nós pecadores, pagando o altíssimo preço da nossa culpa, é a graça que nos segura que temos plenos direitos de ocupar nosso lugar na casa do Pai  (Jo 14:1).

 Russell Shedd 

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